Reseña del libro "Dos pulpitos ao conga (en Portugués)"
E se a música que você ouviu a vida inteira só tocasse para você? Aos oito anos, Neo passa sete dias no fundo da casa de uma tia, onde uma médium recebe um caboclo e fecha o corpo do menino com ervas, velas, charuto e fé. Aos catorze, numa casa onde as portas batem mais do que as pessoas falam, ele pensa em desaparecer. É quando alguém o chama pelo nome numa igreja de esquina e o abraça sem pedir nada em troca. Neo entra de corpo inteiro. Ouve uma só melodia, com disciplina, entrega e uma fé que nunca foi fingida, sem perceber que, ao redor, muita gente dançava outra música. DOS PÚLPITOS PARA O CONGÁ é um romance em primeira pessoa sobre deixar uma fé e voltar para casa. Uma travessia que passa pelo púlpito, pela estrada, pela noite e pelo axé. Parte I: Orí. A infância entre o quintal da tia, os domingos da avó libanesa que rezava em árabe e dançava ao som de Umbanda na música popular brasileira, os doces de Deusanna nas festas de Cosme e Damião e uma profecia dita por um catequista tomado por algo maior que ele: "Você vai curar e ajudar a muitos". O menino que procura uma casa encontra uma, mas com a porta trancada por fora. Parte II: Ọ̀nà. Missionário precoce, Neo atravessa cidades e países. Conhece a seriedade silenciosa da fé de gente simples, como a mulher que deixa sobre o altar um pano de prato bordado, e o cinismo de lideranças que sabem de cor o vocabulário da humildade. Até o dia em que ouve, num corredor, a frase que racha a música para sempre. Parte III: Òkùnkùn. Na Índia, doente e sem dinheiro nem para um analgésico, é cuidado por estranhos. Nos templos, aprende que a divindade mora na mão que serve sem perguntar o nome, e que decepção é remédio. De volta ao Brasil, descartado por quem o enviou, reencontra a música dos discos da avó e a ancestralidade que o chama. Parte IV: Àṣẹ. Levado pelo pai, um árabe que incorporava Seu Zé Pilintra, Neo descobre o terreiro, o colo de Vó Cambinda, os búzios de Mãe Zulmira, a iniciação na Bahia e a certeza de que os orixás e as entidades o acompanhavam desde sempre. A fé, enfim, ganha chão. Com poemas e orikis em cada parte e uma estrutura inspirada na cultura iorubá, o livro defende que a fé precisa ser sustentada por experiência vivida em plena consciência, que todos os caminhos comungam entre si e que a crítica deve recair sobre a instrumentalização da fé, nunca sobre a fé de ninguém. O que você vai encontrar: uma narrativa íntima e sensorial, em que o cheiro do charuto, o gosto da batida de coco, o som do atabaque e o calor da cozinha da mãe contam tanto quanto os acontecimentos. Cenas de ruptura e de acolhimento, entidades que falam com humor e ternura, uma viagem à Índia, outra à Bahia e uma carta do Neo de hoje ao menino que ele foi, o garoto da cadeira de plástico que só queria um lugar onde chorar não fosse estranho. Para quem é este livro: - Quem já deixou uma religião e procura uma espiritualidade que se viva de olhos abertos. - Quem se interessa por Umbanda, Candomblé e religiões de matriz africana contadas por dentro, com afeto e sem folclore. - Quem gosta de romances que misturam prosa e poesia, família, música, cozinha e memória. "Eu não saí de uma religião para outra. Eu voltei para a casa de onde nunca fui, de fato, embora." Uma história sobre transmutação, renascimento e ancestralidade. Porque o futuro é ancestral.